Discordou do mapa da SEMA? Como funciona o laudo técnico com ART pra reclassificar sua área
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Discordou do mapa da SEMA? Como funciona o laudo técnico com ART pra reclassificar sua área

No artigo anterior desta série vimos que o mapa oficial da SEMA para áreas úmidas de Mato Grosso é construído numa escala de 1:250.000 — precisa o suficiente pra uma visão estadual, mas grossa demais pra decidir sobre um talhão específico. Quando esse mapa classifica sua propriedade como área úmida e você acredita que a realidade do solo é outra, a Resolução CONSEMA nº 36/2026 prevê um caminho formal pra resolver essa divergência: o laudo técnico com ART.

Carta topográfica e mapa de solos estendidos sobre mesa de campo, ao lado de equipamento de GPS de precisão e prancheta, ambiente técnico de levantamento pedológico
Contestar a classificação oficial exige um levantamento em escala muito mais fina que o mapa de referência — e a responsabilidade técnica de um profissional habilitado.

Quando cabe contestar a classificação

A divergência pode aparecer em três lugares: no mapa de referência da SEMA, no Cadastro Ambiental Rural (CAR) ou já dentro do próprio processo de licenciamento. Nos três casos, a lei trata a situação da mesma forma — cabe ao interessado apresentar um laudo técnico, elaborado por profissional legalmente habilitado, com a devida ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) ou documento equivalente, seguindo os critérios técnicos da resolução nos moldes de um Termo de Referência Padrão específico.

Isso não é uma alegação informal de que “essa área nunca alagou”. É um documento técnico com responsabilidade profissional registrada — quem assina responde tecnicamente pelo conteúdo.

O que o laudo precisa ter

A norma exige, no mínimo, dois componentes:

  • Mapa de solos em escala 1:25.000 ou mais detalhada — dez vezes mais preciso que a base de referência estadual (1:250.000). É essa diferença de escala que permite discutir a realidade de uma propriedade específica, e não apenas a tendência regional.
  • Análise expressa dos critérios técnicos da caracterização — pedológico, hidrológico, geomorfológico e fitofisionômico (os mesmos quatro grupos que definem uma área úmida, tratados no artigo anterior desta série), justificando de forma técnica e circunstanciada por que a classificação de referência não se aplica àquele imóvel.

Não basta discordar do resultado — o laudo precisa demonstrar, com os mesmos critérios que a lei usa pra classificar, por que aquele terreno específico não se enquadra.

Estacas de levantamento topográfico com fita de sinalização marcando uma grade de amostragem em campo agrícola, trado de solo apoiado numa das estacas
A escala 1:25.000 exigida no laudo só sai de levantamento em grade no campo — dez vezes mais detalhada que o mapa de referência estadual.

Onde a divergência é resolvida

O laudo não abre um processo à parte. A divergência é dirimida dentro do próprio processo de licenciamento ambiental da atividade — o laudo técnico e os demais aspectos técnicos do projeto (o que se pretende fazer na área, incluindo eventual obra de drenagem) são analisados de forma integrada pelo órgão licenciador. Quando a atividade não é passível do licenciamento ambiental ordinário, essa análise é conduzida por meio de uma Licença Ambiental Única (LAU).

Na prática, isso significa que o laudo de reclassificação e o projeto técnico da obra pretendida costumam caminhar juntos — não é preciso, primeiro, “ganhar” a reclassificação pra só depois começar a projetar.

O que acontece se o laudo for aceito

Se o órgão ambiental aprovar o laudo e ele descaracterizar a área como úmida, o efeito não fica restrito ao processo individual: a base temática de referência da SEMA é ajustada, e o interessado pode pedir a retificação correspondente no CAR. Um laudo bem-sucedido corrige o mapa oficial daquele ponto em diante — não é uma exceção pontual, é uma correção de dado.

O que a Techduto apoia — e o que não apoia

É importante ser direto sobre os limites de cada etapa: a elaboração do laudo técnico de caracterização de área úmida é trabalho de profissional habilitado em pedologia, hidrologia e licenciamento ambiental — a Techduto não substitui essa etapa. O que a equipe de engenharia da Techduto apoia é o que vem depois, uma vez definida a classificação da área: o projeto técnico de drenagem propriamente dito — traçado, profundidade e especificação do sistema, dentro dos critérios que valem pra aquela área.

Se você ainda não sabe se a sua propriedade se enquadra na definição legal de área úmida, o artigo anterior desta série explica os critérios que decidem isso. E se a lavoura já apresenta sinais de encharcamento recorrente, independente da classificação formal, o diagnóstico de drenagem é o ponto de partida com a equipe técnica.

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